Como quase todos sabem, Cobie foi diagnosticada com Câncer nos ovários quando ela tinha apenas 25 anos de idade. Desde então ela nunca havia falado abertamente como foi ter passado por isso, mas recentemente ela escreveu uma carta para o Lenny Letter contando como foi essa experiência e como ela conseguiu dar a volta por cima e vencer essa doença.

Nós traduzimos essa emocionante carta, confira abaixo:

“Às vezes trabalhando como ator, alguém entra na privacidade de sua casa em uma base semanal e então você é obrigado a compartilhar uma parte de si mesmo com o público, eu até entendo esse conceito mas eu não me sinto inteiramente confortável com isso, eu sou uma pessoa muito privada. O meu lugar feliz está escondido na floresta canadense bem longe da civilização. Mas algo aconteceu há alguns anos atrás que me fez pensar que revelar parte da minha vida pessoal poderia realmente fazer a diferença na vida de outras mulheres. Isso aconteceu quando me pediram para aparecer de topless na capa da revista Women’s health. Eu sei. Não é o que eu estava esperando. Às vezes, nesta indústria insana que eu escolhi para fazer parte, você recebe esses tipos de pedidos quando você tem um projeto que precisa ser promovido.  Esta edição particular da revista era sobre corpos: como amar seu corpo, como ter confiança do seu corpo, e como se manter saudável. Foi um dia muito estranho, eu estava de pé em frente de uma câmera com roupa íntima e segurando meus seios, tudo para não parecer sexy e sim confiante, não flertante mas brilhantemente positiva. Além do fato de que eu tinha dado à luz fazia apenas seis semanas e eu não estava me sentindo no meu melhor físico, eu ainda estava me recuperando da esmagadora lisonja que alguém além do meu marido iria querer me ver em topless.

 Tudo isso me fez começar a pensar sobre o meu corpo e o que havia acontecido, e de repente este convite bizarro transformou-se uma oportunidade de compartilhar a minha experiência de ter sido diagnosticada, de ter recebido tratamento e de aprender finalmente a curar o meu câncer. Agora, qualquer pessoa que foi diagnosticada com câncer ou até mesmo conhecido alguém que foi diagnosticado com câncer está ciente de sua total posse mental, física e emocional. mesmo se você não tiver sido afetado de perto, eu tenho certeza que você pode facilmente conceituar a nuvem de trovões que chove sobre você. Eu me encontrei no meio de uma tempestade na primavera de 2008, quando eu tinha apenas 25 anos. Justo quando os ovários estão repleto de folículos juvenis, as células cancerígenas levaram as minhas ameaçando acabar com minha fertilidade e potencialmente minha vida. Minha fertilidade nem sequer passou pela minha cabeça naquele momento. Mais uma vez: eu tinha 25 anos. A vida era bem simples. Mas de repente era tudo o que eu conseguia pensar. Eu sempre quis ter filhos, eu era uma ótima babá na minha juventude, eu fazia os pratos das crianças, eu era boa em encontrar maneiras de levar as crianças a comer lanches saudáveis, todas as mães vizinhas me queriam, me queriam muito. Até mesmo no meio do meu grupo de amigos, eu era a “Maternal”, eu era aquela amiga que sempre dizia para os amigos não exagerarem na bebida. Portanto, ser mamãe era algo que eu pensava muito no meu futuro. E agora estavam dizendo para mim que provavelmente eu não teria a possibilidade de criar os meus próprios filhos. Isso é grosseiramente injusto.

Pouco antes de ser diagnosticada, eu sentia que algo estava fora do normal. Minha energia  estava baixa, eu estava cansada o tempo todo, sentia um pressão constante no meu abdômen que eu não conseguia explicar. Eu escutei meu corpo e imediatamente fui para a meu ginecologista, ela me encaminhou para um oncologista no Cedars Sinai em Los Angeles, que foi um anjo e me ajudou a colocar os meus medos de lado e começar agir.
Quando eu perguntei a ela o que eu poderia fazer para controlar essas células que tinham decidido tomar conta dos meus órgãos sem o meu consentimento, ela me disse que eu não deveria fumar ou usar drogas, e eu deveria tentar sempre comer algo saudável. Este não foi um problema. Concedido, eu estava duas semanas de ir para uma mesa de cirurgia para remover tumores de ambos os meus ovários, então não havia realmente muito além da intervenção cirúrgica que poderia ser feito nesse ponto. Mantendo isso em mente, eu sabia que tinha que haver algo que eu poderia fazer naturalmente para ajudar o meu corpo a recuperar e lutar contra esta doença.

Assim começou o mais estranho, mais estranhamente educacional quatro meses da minha vida.
Eu tive que romper a minha relação com queijo e carboidratos (felizmente, estamos agora dando a nossa relação uma outra chance, mas nunca seremos o que nós éramos antes.) Comecei a meditar, eu estava sempre em um estúdio de ioga, eu fui a curandeiros de energia que evaporaram a fumaça negra da minha parte interior do corpo. Fui a um retiro de limpeza no deserto, onde não comi durante oito dias e foi aí que eu tive alucinações causadas pela fome. Eu li tantos livros, (Crazy Sexy Cancer de Kris Carr, foi um dos melhores.) Eu fui para curandeiros de cristal, cinesiologistas, naturopatas, terapeutas e terapias hormonais.

Eu realmente quero dizer que a combinação dessas coisas juntamente com várias cirurgias, eventualmente me deu uma saúde limpa. Gostaria de que todos tivessem acesso a todos esses tratamentos. Estou ciente da minha situação, que eu estava incrivelmente feliz por ter tido os meios para explorar qualquer e todas as opções. A boa notícia é que essas opções estão lá fora, você pode fazer pesquisas e encontrar muitas maneiras diferentes para ajudar a se curar.
Felizmente, e com gratidão, o câncer não conseguiu tirar o melhor de mim. O melhor de mim agora vive em minhas duas mulheres pequenas, as meninas que eu tive a sorte de ser capaz de fazer com meu próprio corpo.
Então, agora que estou do outro lado, sinto que é meu dever, mesmo que isso signifique posar de topless para espalhar a consciência. Desde o meu artigo na revista, eu tive tantas conversas com as mulheres sobre suas batalhas com o câncer, e eu me senti tão capacitadora de abrir este diálogo e aprender umas com as outras. Mas a coisa é, eu não sei se eu vou estar livre do meu câncer, ou para ser mais específica, livre do medo do retorno dele. Ainda assim, isso se tornou para muitas pessoas uma doença habitável, algo que você aprende a gerenciar. E é isso que eu fiz.

Eu tive muita paciência para chegar onde estou hoje. Estou aprendendo que na vida se você viajar um tempo na escuridão, sem saber qual vai ser o seu próximo movimento, é normal.  Eu não permito que o estresse do desconhecido afete minha saúde, e eu escuto meu corpo quando emite sinais de aflição. Eu desejo que nós mulheres gastamos tanto tempo no bem-estar de nossos interiores como fazemos com nossos exteriores.

Se você está passando por algo como isso, eu te peço para olhar para todas as suas opções, para fazer perguntas, para aprender o máximo que puder sobre o seu diagnóstico. Respirar e pedir ajuda. Chorar quando sentir necessidade. E lutar!”

Traduzido por: Nathali | Fonte

 

 

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